

O PARTO DE UM POEMA
Cada um de nós carrega a própria solidão.
A palavra dura ou pensada Ilumina o passo ante o abismo. O poema junta palavra com palavra Forma a ideia que não se cala Salva a alma na madrugada. O poema é um cataclismo Não tão imune ao cinismo Que sacode a poeira. As ondas na praia se repetem E o mar infinitamente As vomita e as engole de volta. A palavra pura engole o mar Engole as ondas e tudo mais. É o princípio e o fim do poema. Salve a alma salve a vida A dita cuja desdita. Outro poema vem. A chama do tempo arde É fogo que queima lento Por dentro e por fora Esturrica a pele Lateja a têmpora Impacienta a calma Compõe e decompõe A música do destino Tanto do velho e do menino. Vence o frio espaço Vence o fio do aço. Vence o poema o tempo; Um parto de dor e lamento.
rub levy
Enviado por rub levy em 06/10/2026
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