

A VOZ
Ouvira certa vez uma voz sussurrante.
Não vinha por certo de alguém cerca de mim. Virara bruscamente apenas num instante Em busca da origem daquela voz bem simples. Voz suave, macia, viva, penetrante Reverberava profunda na consciência. Gaguejei palavras sem nexo, vacilante. Parecia-me estar sofrendo de demência. Uma voz feminina sem ser de mulher Que visse e que me pudesse beijar os lábios. Uma voz que repetia: o que de mim quer Quem procura dentro de si conselhos sábios. Uma voz doída de uma serena dor, Como a bruma de uma manhã na cordilheira, Com sua pureza branca cheia de amor, Fria, mas se desfazendo ao sol, nevoeira. Marcara-me profundo a experiência. Seria a voz dela por esforço a falar-me? Seria somente um caso mais de ciência? Não sei, só sei senti continua a amar-me.
rub levy
Enviado por rub levy em 11/07/2026
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